Problemas com a disposição de dejetos diretamente no solo

blog2Prancheta 1 - Embio

Você sabia que o Brasil é o único país da América Latina incluído na lista dos 10 maiores produtores de carne suína do mundo, sendo responsável por 9% das exportações mundiais? Somos uma potência global quando o assunto é produção de carne suína, e algumas regiões como o estado de Santa Catarina, destacam-se pela grande tecnificação de sua produção, exibindo taxa de desfrute em torno de 188%. A Suinocultura é uma atividade importante do ponto de vista econômico e social uma vez que se constitui em ferramenta de permanência do homem no campo e meio de geração de empregos diretos e indiretos em toda a cadeia produtiva.

Em contraste com esse cenário, a suinocultura é considerada pelos órgãos de fiscalização e proteção ambiental, como atividade de grande potencial poluidor. O motivo é o elevado número de contaminantes contidos nos efluentes, cuja ação individual ou combinada, contaminam o ar, os recursos hídricos e o solo.

Fazendo uma comparação, dos dejetos de suínos com o esgoto humano, nota-se que a capacidade poluidora dos dejetos suínos é muito maior.   

Por isso, quando o dejeto é disposto diretamente no solo é bem provável que ele esteja causando diversos problemas ambientais e hídricos. Isso porque a matéria orgânica e os nutrientes como nitrogênio, fósforo, cobre, zinco, ferro e molibdênio em excesso, são os principais responsáveis pela contaminação do solo.

Mas como isso acontece?

A matéria orgânica, o nitrogênio, o fósforo e as bactérias fecais presentes no dejeto, alteram negativamente a qualidade das águas, tanto águas superficiais (rios, lagos, açudes), como também o lençol freático. Podemos identificar esse impacto, quando observamos águas muito escuras, com muito material dissolvido, que pode ser terra super adubada vindo das lavouras, e também pelo crescimento rápido e descontrolado de algas.

O resultado desta poluição afeta a vida dos peixes e animais aquáticos, uma vez que, a matéria orgânica em excesso na água favorece a proliferação de algas marinhas. Essas algas consomem todo o oxigênio contido na água e acabam matando os peixes e animais aquáticos. Além disso, a matéria orgânica altera a cor, o gosto e o odor característico da água, tornando-a imprópria para o consumo e o lazer.

A lavoura também sofre as consequências do manejo incorreto dos dejetos, porque o excesso de cobre, zinco, alumínio, ferro  e outros elementos, afeta diretamente a qualidade da vida no solo, inibe o enraizamento das plantas e gera uma camada espessa de matéria orgânica, dificultando a entrada de água no solo.

Diante disso, sabe-se que a disposição final dos dejetos diretamente no solo, sem realizar nenhum tratamento, pode ocasionar diversos problemas. Uma das alternativas que visam a diminuição do impacto ambiental e melhora a qualidade do dejeto  é o tratamento realizado em lagoas de aeróbias. Esse tratamento permite a diminuição do excesso de carga orgânica, a estabilização e mineralização dos macro e micronutrientes, deixando-os mais disponíveis para as plantas, dessa forma diminuindo a toxicidade do dejeto e melhorando o seu aproveitamento como um adubo orgânico.

REFERÊNCIAS

OLIVEIRA, V, A, P. SUINOCULTURA E IMPACTO NO SOLO. Disponível em <http://www.asemg.com.br/site/wp-content/uploads/2017/12/DEJETOS-SU%C3%8DNOS-E-IMPACTO-AMBIENTAL1.pdf>Acessado em 20 de julho de 2021

LVASSEUR,P., DUTRÉMÉ,S. Hygiénisation des effuents d`élevage porcin. Techni Porc, vol. 30, Nº 2, 2007. p. 3-17.

Redatora: Tatiane Francine Knaul 

Editor : Patricia Schumacher/ Caio Frederico Ferreira